quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Mayana Zatz e Células- Tronco


Uma grande cientista na área da Genética Humana
Mayana Zatz, nasceu em Tel Aviv, Israel, em 1947. É bióloga molecular e geneticista, professora do Departamento de Biologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo. Exerce o cargo de pró-reitora de pesquisa da USP.
Pesquisadora renomada em genética humana, com contribuições principalmente no campo de doenças neuromusculares (distrofia musculares, paraplegias espásticas, esclerose lateral amiotrófica) em que é pioneira, atualmente seu laboratório no Centro de Estudos do Genoma Humano da USP também realiza relevantes pesquisas no campo de células- tronco).
Publicou mais 280 trabalhos científicos.

Pesquisas com Células- Tonco, uma ótima área para os Biomédicos!

O que são Células- Tronco?


Células-tronco são as células com capacidade de auto-replicação, isto é, com capacidade de gerar uma cópia idêntica a si mesma e com potencial de diferenciar-se em vários tecidos.
Quanto a sua classificação, podem ser:
- Totipotentes, aquelas células que são capazes de diferenciarem-se em todos os 216 tecidos que formam o corpo humano, incluindo a placenta e anexos embrionários. As células totipotentes são encontradas nos embriões nas primeiras fases de divisão, isto é, quando o embrião tem até 16 - 32 células, que corresponde a 3 ou 4 dias de vida;
- Pluripotentes ou multipotentes, aquelas células capazes de diferenciar-se em quase todos os tecidos humanos, excluindo a placenta e anexos embrionários, ou seja, a partir de 32 - 64 células, aproximadamente a partir do 5º dia de vida, fase considerada de blastocisto. As células internas do blastocisto são pluripotentes enquanto as células da membrana externa destinam-se a produção da placenta e as membranas embrionárias;
- Oligotentes, aquelas células que se diferenciam em poucos tecidos;
- Unipotentes, aquelas células que se diferenciam em um único tecido.
Constitui um mistério para os cientistas a ordem ou comando que determina no embrião humano que uma célula-tronco pluripotente se diferencie em determinado tecido específico, como fígado, osso, sangue etc. Porém em laboratório, existem substâncias ou fatores de diferenciação que quando são colocadas em culturas de células-tronco in vitro, determinam que elas se diferenciem no tecido esperado. Um estudo está sendo desenvolvido pela USP para averiguar o resultado do contato de uma célula-tronco com um tecido diferenciado, cujo objetivo é observar se a célula-tronco irá transformar-se no mesmo tecido com que está tendo contato. As células-tronco da pesquisa foram retiradas de cordão umbilical.
Quanto a sua natureza, podem ser:
Adultas, extraídas dos diversos tecidos humanos, tais como, medula óssea, sangue, fígado, cordão umbilical, placenta etc. (estas duas últimas são consideradas células adultas, haja vista a sua limitação de diferenciação). Nos tecidos adultos também são encontradas células-tronco, como medula óssea, sistema nervoso e epitélio. Entretanto, estudos demonstram que a sua capacidade de diferenciação seja limitada e que a maioria dos tecidos humanos não podem ser obtidas a partir delas.
Embrionárias, só podem ser encontradas nos embriões humanos e são classificadas como totipotentes ou pluripotentes, dado seu alto poder de diferenciação. Estes embriões descartados (inviáveis para a implantação) podem ser encontrados nas clínicas de reprodução assistida ou podem ser produzidos através da clonagem para fins terapêuticos.
Podem ser obtidas:
- Por Clonagem Terapêutica é a técnica de manipulação genética que fabrica embriões a partir da transferência do núcleo da célula já diferenciada, de um adulto ou de um embrião, para um óvulo sem núcleo. A partir da fusão inicia-se o processo de divisão celular, na primeira fase 16-32 são consideradas células totipotentes. Na segunda fase 32-64 serão células pluripotentes, blastocisto que serão retiradas as células-tronco para diferenciação, in vitro, dos tecidos que se pretende produzir. Nesta fase ainda não existe nenhuma diferenciação dos tecidos ou órgãos que formam o corpo humano e por isso podem ser induzidas para a terapia celular.
- Do Corpo Humano as células-tronco adultas são fabricadas em alguns tecidos do corpo, como a medula óssea, sistema nervoso e epitélio, mas possuem limitação quanto a diferenciação em tecidos do corpo humano.
- De Embriões Descartados (inviáveis para implantação) e Congelados nas clínicas de reprodução assistida
Podem ser utilizadas:Terapia Celular: tratamento de doenças ou lesões com células-tronco manipuladas em laboratório.
O que é Clonagem Reprodutiva?

É a técnica pela qual se forma uma cópia de um indivíduo. O procedimento basea-se na transferência do núcleo de uma célula diferenciada, adulta ou embrionária, para um óvulo sem núcleo com a implantação do embrião no útero humano. Gêmeos univitelinos são clones naturais.Principal diferença das técnicas de Clonagem Terapêutica e Reprodutiva
Nas duas situações há transferência de um núcleo de uma célula diferenciada para um óvulo sem núcleo. Mas na técnica de clonagem para fins terapêuticos as células são multiplicadas em laboratório para formar tecidos específicos e nunca são implantados em um útero. Vantagens e limitações da Clonagem Terapêutica para a obtenção de células-tronco
A principal vantagem dessa técnica é a fabricação de células pluripotentes, potencialmente capazes de produzir qualquer tecido em laboratório, o que poderá permitir o tratamento de doenças cardíacas, doença de Alzheimer, Parkinson, câncer, além da reconstituição de medula óssea, de tecidos queimados ou tecidos destruídos etc, sem o risco da rejeição, caso o doador seja o próprio beneficiado com a técnica. Mas a principal limitação é que no caso de doenças genéticas, o doador não pode ser a própria pessoa porque todas as suas células têm o mesmo defeito genético.
A clonagem para fins terapêuticos não pode reproduzir seres humanos, porque nunca haverá implantação no útero. As células são multiplicadas em laboratório até a fase de blastocisto, 32-64 células, sendo a partir desse estágio manipuladas para formação de determinados tecidos. Além disso, nessa fase o pré-embrião é constituído por um aglomerado de células que ainda não tem sistema nervoso.

Por Drª Mayana Zatz, Geneticista da USP

A Discussão

Leigos e especialistas de todas as áreas concordam que a ciência está a serviço da população, principalmente quando se trata de pesquisas para a descoberta da cura de doenças que afetam milhares de pessoas. É consenso que as promissoras pesquisas envolvendo células-tronco são importantes e devem continuar, porém , quando se discute a origem, de onde as células-tronco serão retiradas, não só o consenso, mas a autonomia dos cientistas desaparece e as pesquisas não avançam.
A discussão se situa na utilização de embriões congelados - a maioria armazenados em clínicas de Reprodução Assistida- ou na utilização da técnica de Clonagem Terapêutica, onde é necessário a utilização de óvulos doados para a pesquisa. A terceira possibilidade é a utilização de células-tronco adultas, extraídas do corpo do próprio paciente. Esta seria a solução ideal eticamente falando, porém, tecnicamente, é a solução de mais baixo aproveitamento, já que estes tipos de célula não são capazes de se diferenciar em todos os tipos de tecido, como ocorre com as células-tronco embrionárias.
Dois grupos distintos se formaram: os que apóiam e os que condenam a utilização de embriões ou a clonagem terapêutica. No Brasil, para sensibilizar a opinião pública cientistas liderados pela bióloga Mayana Zats,da USP fizeram um abaixo-assinado para pedir a liberação da pesquisa com o uso de células-tronco embrionárias, iniciativa prontamente combatida pelo professor Dalton Ramos também da USP e a professora Alice Teixeira, da PUC/SP que lançaram um Manifesto contra a destruição de embriões.
No centro desta polêmica está o Projeto de Lei de Biossegurança, que para o espanto de alguns especialistas além de tratar da política de Biossegurança envolvendo Organismos Geneticamente Modificados(OGMs) possui um artigo sobre pesquisas com células-tronco embrionárias e clonagem terapêutica. O texto do Projeto de Lei original restringia as pesquisas com células-tronco. Na primeira intervenção o deputado Aldo Rabelo retirou a restrição, liberando as pesquisas. A bancada religiosa na Câmara realizou uma forte pressão e conseguiu devolver ao texto o caráter restritivo às pesquisas. Atualmente o Projeto de Lei que tramita no Senado traz modificações e acolhe a emenda do senador Tasso Jereissati que permite a pesquisa com células-tronco embrionárias. Apesar do texto já ter passado pela Câmara dos Deputados, o seu teor ainda está longe de ser aprovado. Vários parlamentares têm apresentado propostas de emenda .A proposta do senador Tião Viana, por exemplo, é elaborar um texto que permita que a pesquisa utilizando células-tronco embrionárias seja feita somente com os cerca de 20 mil embriões que se estima estar congelados no Brasil.

Sites Relacionados:

Células-tronco, uma pesquisa polêmica http://www.portaldafamilia.org/artigos/artigo031.shtml

Esperança Consagrada! http://www.celula-tronco.com/

ABC da saúde Células-Tronco http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?602

Vídeo sobre Células- Tronco (Vale a Pena Ver) http://video.google.com/videoplay?docid=8414495255301311833

2 comentários:

Colecionador de Palavras disse...

Olá Angélica!! Sou acadêmico de Biomedicina da Universidade Federal de Pernambuco, e há algum tempo acompanho seu blog!

Parabéns pelo espaço no qual esclarece diversos assuntos relacionados a nossa futura profissão!!

Nesse post ou num futuro, seria legal você mencionar a Dra. Lílian Piñero Marcolin Eça, biomédica presidente do Insituto de Pesquisa em Células-Tronco (IPCTRon). Ela é Professora da USP e Unifesp e tem um papel importantíssimo e racionalmente justificado na oposição ao uso de embriões humanos para pesquisa com Células-Tronco...

Fica a dica ;)

Abraços, Jean Falcão

Priscilla disse...

Oi Angelica
Primeiramente parabéns pelo blog, adorei os posts. A partir de hoje serei uma frequentadora assídua do desse espaço!! =)